quarta-feira, 29 de março de 2017

Pedagogia Sistêmica aponta o afeto como uma das causas do TDAH infantil


“Não existe fracasso escolar, existe o grande amor das crianças por seus pais.”

Dita assim, a frase pode parecer sem sentido. Mas inserida no contexto da pedagogia sistêmica é a resposta para o maior dos desafios da educação.
O assunto foi tema de uma palestra proferida por Angelica Olvero na Universidade de Brasília. Diretora Corporativa Acadêmica e de Investigação Educativa da Universidade Emílio Cárdenas (CEDUC), ela estuda e forma professores nessa especialização há 16 anos.
Ao longo de seus 46 anos de formação em pedagogia, Olvero diz ter encontrado a solução para os principais problemas da educação, na união da base teórica da pedagogia aos ensinamentos do filósofo e professor alemão Bert Hellinger, o criador das constelações familiares.
O resultado é uma abordagem mais completa e sensível do histórico de cada membro participante do processo de aprendizagem. Em sua apresentação, Olvero pediu que espectadores representassem pai, mãe, criança, escola, professora, ensino da matemática e violência.
Com um trabalho semelhante ao feito na constelação familiar, ela mostrou quais são os cinco principais problemas encontrados nas escolas atualmente:

1) Desvio de função

Quando a professora ou o professor percebe na criança a ausência da mãe ou do pai e se sente no dever de assumir esse papel, a aprendizagem é prejudicada. Em vez de atuar como mestre e se concentrar na transmissão do conteúdo, passa a cuidar, consolar, ajudar a criança que está passando por algum problema, colocando o ensinamento e as outras crianças em segundo plano.

2) A culpa

Se as crianças não vão bem na escola começa um jogo de empurra. A família culpa a escola. A escola culpa o professor. O professor culpa a criança. A criança se sente culpada e a família se volta contra a escola. Segundo Angelica Olvera, a solução para esse conflito é o respeito. Os dois espaços, tanto o escolar quanto o familiar, precisam ser respeitados para que a criança se desenvolva bem.

3) O problema da criança

Onde está a atenção da criança que não consegue se concentrar na escola? O que a preocupa? De acordo com Olvera, essa é a reflexão que pais e mestres precisam fazer para descobrir a origem da agitação ou tédio que impedem as crianças de aprender.
“Tenho, na minha biblioteca, mais de cem livros sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Mas a resposta não está lá. Está aqui”, disse ela.
De acordo com a especialista, se a criança não quer ir para a escola é porque existe algo mais importante a preocupando. Ela se sente no dever de cuidar do pai, da mãe, dos irmãos, que podem estar passando por alguma dificuldade. Ela sente, sabe e precisa ajudar.
“Nós compramos livros, fazemos cursos e nada funciona. Viajei muitíssimo. Nenhuma escola do mundo tem a resposta porque é isso. Ninguém tem culpa. Só que a criança precisa estar com a família”, explica.

4) Violência

Para Olvera, o problema começa na família. A violência presente em uma família desestruturada, onde existem ameaças, discussões, agressões, se expande até a escola, onde as crianças reproduzem o que sofrem, prejudicando outras crianças e famílias. A grande incoerência, no entanto, é que para acabar com a violência, a escola gera mais violência, com medidas punitivas e improdutivas. A solução, na opinião de Algelica Olvera é tratar as famílias individualmente por meio da terapia sistêmica de Bert Hellinger.

5) A presença dos pais

Os pais tanto das crianças quanto dos professores também precisam estar presentes na escola para que o aprendizado seja efetivo. São as raízes, as origens e não podem ser desprezadas, diz ela. Na palestra, Olvera lembrou o caso de uma professora que costumava colocar quadros dos próprios pais na sala de aula e os apresentava as crianças. Ela pedia para que os alunos também trouxessem, simbolicamente, os pais para a escola.
“Nessas horas, sempre tem alguma criança que diz: ‘Não conheço meu pai’. E ela respondia: ‘Mas eu conheço seu pai. Eu vejo ele bem aqui, na minha frente, porque você é a metade dele. Vamos desenhá-lo’.”
Segundo Olvera, muitos problemas escolares são resolvidos como mágica, quando as crianças fazem esse trabalho de trazer suas origens para a sala de aula.
“A criança que não consegue aprender matemática não consegue somar seu pai e sua mãe. As matemáticas são somas. Esse é o segredo da matemática. Todas as disciplinas têm seus segredos.”
É a consciência desses segredos por parte das professoras e professores, das mães e pais e da escola que faz com que as crianças tenham êxito no aprendizado.
“Essa é a solução dos problemas de todos os países porque o problema de todos os países é a educação”, completou.
Palestra Pedagogia Sistêmica. Fonte: Adriana Franzin / Portal EBC

Oração do Amor Próprio

TEXTO LIDO NA RODA DE CURA 

Oração do Amor Próprio

"Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda.
Sei que minha força se refaz no meu tempo e nele meu coração celebra.
Que eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia.
Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria.
Que antes de cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.
Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar.
Que eu saiba primeiro me encontrar antes de me doar.
Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer não quando essa é a minha real vontade e direção.
Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a auto gratidão.
Em cada Alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou.
Com carinho eu me curo e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo e nele meu coração celebra."


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Consultório Renovado

Estamos da casa nova ou melhor cara nova !!! O Espaço Família e Humanização passou por uma reforma para melhor receber seus alunos e clientes!

Aos clientes e alunos, sejam muito bem vindos em nosso espaço!






Entrevista TV Assembleia: Adaptação escolar e Volta às aulas

No dia 16/02/16, participei do Programa Panorama na TV Assembleia falando sobre:

                                   "Adaptação Escolar e Volta às Aulas".


Acredito que essa entrevista possa colaborar com aquelas famílias que estão passando por esse momento.

Segue o link da entrevista.  Confira!


https://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=1013445&cat=89

https://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=1013442&cat=89


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Formação em Terapia Familiar Sistêmica - 2016


Coordenação: Fernanda Seabra – CRP 04/18317
·         Psicóloga com formação em Terapia Familiar Sistêmica
·         Coordenadora do NASS- Núcleo de atendimento social sistêmico
·         Coordenadora de grupos de supervisão em terapia sistêmica
·         Coordenadora de cursos na área de educação

Proposta do Curso:
·         Preparar profissionais para atuarem em Terapia Sistêmica;
·         Promover o desenvolvimento do pensamento sistêmico;
·         Possibilitar a compreensão do padrão de funcionamento e história familiar tanto do terapeuta quanto do seu cliente;
·         Refletir sobre o trabalho / papel do terapeuta sistêmico;
·         Detectar disfunções familiares e criar recursos para a solução de problemas.

Público Alvo: psicólogos, assistentes sociais, psicopedagogos, médicos, enfermeiros e profissionais da área de saúde. Poderão realizar o curso, profissionais que trabalham com famílias, estudantes das áreas citadas e pessoas interessadas pelo pensamento sistêmico.

Duração: 
·         O curso é ministrado quinzenalmente com duração de duas horas cada aula.
·         Duração de 18 meses
·         O programa é flexível, podendo adiantar temas, fazer trocas, sempre de acordo com o andamento da turma.
·         Ao final do curso será oferecido o certificado para o aluno que tiver no mínimo 80% de frequência e aproveitamento das atividades propostas (resenhas de livros, filmes e tarefas).
·         As aulas que os alunos não puderem comparecer serão cobradas normalmente (são aulas dadas).
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Investimento: taxa de matrícula – R$ 110,00 e mensalidades  no valor de R$260,00



Início:  01 de Agosto de 2016

Horário:  das 13:30 às 15:30h

                
Informações: Tel.: 8868-9455/ 2516-1648
                                 Rua: Ceará 195/302 Santa Efigênia
                                 e-mail: espacofamiliaehumanizacao@gmail.com
                               



    A matrícula só será efetivada após preenchimento da ficha de inscrição no site e confirmação de depósito da taxa de matrícula.





Programa do Curso de Formação em Terapia Familiar Sistêmica:



Pensamento sistêmico

·         Real x Ilusão
·         Polarização e despolarização
·         HCE x HCD – a comunicação de dois cérebros no trabalho clínico
·         Processo de humanização
·         Inconsciente – princípios da hipnoterapia Ericksoniana

Casais
·         Tipos de casais
·         Contratos, pactos e colusões na relação do casal.
·         Sexualidade - desenvolvimento psico sexual, disfunção sexual, desvios sexuais, homossexualismo, transtorno de gênero.


·         Famílias

               Hierarquia familiar                              
               Padrão de funcionamento                   
               Família funcional e disfuncional   
               A fabricação do membro sintomático                                                                                  
               Mitos – herança transgeracional         
               Segredo familiar                                
               Ciclos vitais                                                   
               Identidade de adulto
               FOT – família de origem do terapeuta
               Sobre atendimento de família e casais


   Terapia Familiar Sistêmica
•           A história da Terapia Sistêmica
•              Principais escolas
•              Entrevista
•              Ficha clínica
•              Planificação de atendimento
•              Hipóteses
•              Foco sistêmico
•              Contrato de terapia/vinculação
•              Pertinência
•              Tipos de intervenção
•              Resistência
•              Redefinição e reformulação.
•              Reformulação
•              O Terapeuta sistêmico
            Recursos sistêmicos para atendimento de famílias







Filhos: muito além de educá-los, é preciso adotá-los.

Dia desses peguei-me refletindo sobre as relações familiares no que diz respeito à interação entre seus membros. Elegi a palavra que me proporcionou alguns questionamentos, de forte significado e que me foi bastante instigadora - ADOÇÃO.


No nosso dicionário de língua portuguesa, essa palavra tem o seguinte significado: “Tomar por filho, escolher, seguir e perfilhar. Aceitação voluntária e legal de uma criança como filho, perfilhação”.
Aceitar um filho legalmente talvez seja a parte menos preocupante de uma adoção, quando comparada à adoção emocional, que é algo bem mais complexo.

 Quando um casal deseja formar uma família, começa a planejar como será a inserção de um novo membro no sistema familiar. Inicia-se a gestação emocional desse indivíduo, dando forma e lugar no imaginário para essa criança antes mesmo dela nascer. O casal passa a idealizar esse novo membro, imaginando como ela será, com quem irá se parecer, que nome receberá , sonhando sonhos para essa criança. Filhos precisam ser sonhados, precisam de um lugar no emocional de seus pais. E quando essa criança chega, ocorre a “prova de realidade”. O casal faz sua estreia na função de pais e busca comprovar se o bebê real corresponde àquele idealizado. Tem que lidar com suas impotências e limitações na relação com filho e vivenciar a realidade de alguém que chora, que faz cocô, que regurgita ou que pode até ter alguma deficiência. Tudo na vida tem dois lados e aqui também não seria diferente.

Uma pessoa pode nascer em uma família, possuir relação de consanguinidade e mesmo assim não se sentir adotada ou incluída como membro nessa família. Que situação angustiante essa: saber que está em uma família, mas não se sentir pertencente. O mesmo pode ocorrer com um indivíduo que não tem laço de sangue com sua própria família.

No caso de uma família que faz uma adoção judicial, isso tudo ainda é mais abrupto, pois a criança quando chega pega uma família de surpresa e que precisará se reorganizar rapidamente para incluir esse novo membro. Mas se a família acolhe, com amor, aquele que chega com suas características próprias e com suas histórias ,a relação se constrói e uma nova história passa a ser escrita na vida de todos. É um ato de aceitação do outro, independentemente de ter em sua origem o sangue e a natureza geracional dos pais que optaram por criar essa criança.

Se não integramos o lado bom e difícil da maternidade/paternidade, ficamos dissociados, vendo a vida por apenas um ponto de vista. Ou vai ser tudo muito belo, ou vai ser tudo muito difícil e pesado. Ao integrarmos, podemos ver os dois lados de forma mais equilibrada, aceitando que ambos existem e que se complementam. É preciso ter coerência se quisermos ser pais adotantes, respondendo por essa escolha mesmo que seja difícil.

Vemos, muitas vezes, pais que tentam exercer a paternidade, mas não se comprometendo com essa função. Querem o título de pais, mas não querem assumir o trabalho e as responsabilidades inerentes.

Se a expectativa for muito alta em torno desse filho, e o casal se deparar com uma realidade completamente diferente da idealizada, poderá sentir-se frustrado e impotente. Por outo lado, poderá utilizar-se de toda dificuldade como oportunidade de crescimento em família. Temos o direito de idealizar, sonhar e criar expectativas, o que também é saudável. O que não é saudável é agarrarmos nestas expectativas,  brigando com a vida querendo que tudo seja à nossa maneira. Nem sempre as coisas saem de acordo com o projetado (aliás, na maior parte das vezes), a vida é feita de inesperados. Nosso grande desafio, enquanto seres humanos, talvez seja flexibilizar, buscando compreender os propósitos da vida com resiliência e sabedoria. O ser humano tende a ser muito vaidoso. Gosta de ter a sensação de que tem controle das situações. No entanto, a vida é mestre em anunciar que podemos até planejar, mas  jamais controlar.

Se não flexibilizo, se não me acolho como ser humano no exercício da maternidade/ paternidade, dificilmente conseguirei adotar aquele que tomei por filho. Estamos vivendo em um tempo de crianças órfãs de pais vivos. Legalmente essas crianças têm pais, mas emocionalmente não estão sendo adotadas, acolhidas e cuidadas por eles.

Acompanho famílias em meu consultório e venho refletindo e perguntando sempre: a família que busca ajuda conseguiu adotar seus membros? É uma família que acolhe falhas, limitações e dificuldades? É uma família que aceita as particularidades de cada membro? Qual o lugar do filho na vida familiar? Queriam ter filhos com qual finalidade?

Adotar significa cuidar, investir afetivamente na vida de alguém. É cuidar da relação, é dar continente, amando, dando suporte em todos os níveis, tomando para si a responsabilidade de formar alguém na vida, digno, real, com caráter e inteiro.

Crianças que não foram adotadas por seus pais, com certeza irão sofrer sequelas desse abandono. Serão pessoas inseguras, com baixa autoestima, carentes, infantis, adultos despreparados para a vida, desorganizados emocionalmente.

Quando uma pessoa se sente adotada, sente-se pertencendo, incluída na família e mais confortável para viver no mundo que a cerca. Terá condições emocionais muito mais favoráveis para viver e terá menos chances de adoecimento físico e psíquico.

Cabe a nós como pais uma reflexão: que tipo de pais estamos sendo para nossos filhos? Eu os vejo? Eu os reconheço? Eu os adoto?

Para reflexão cito uma frase de Olavo Bilac
"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével."



                                                          Fernanda Seabra – CRP 04317 – Psicóloga do Espaço Família e Humanização e coordenadora do Nass(Núcleo de atendimento social sistêmico).


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Nos dias 14 e 15 de agosto tive o privilégio de participar de um evento organizado pela equipe "Interação Sistêmica"cujo tema foi:

"Jung, Psicogeneaologia e Constelações Familiares", ministrado pela Dott.ssa Maura Saita Ravizza.

Foram dois dias de muito aprendizado e que possibilitou desdobramentos de histórias familiares, de processos internos e conhecimento de temas tão ricos. 

Pude comprovar mais uma vez o quanto nossos antepassados são importantes em nossas vidas, o quanto carregamos deles em nós, como funcionam os padrões de relação e segredos em nossa família. São histórias que nos atravessam, que permeiam e norteiam a nossa vida, que precisam ser faladas, compreendidas, reconhecidas e  elaboradas por nós.

 Dott. ssa Maura, com seu carisma e profundo conhecimento, nos presenteou com sua teoria  encantadora e práticas profundas. Estudiosa da Psicogenealogia, trouxe para nós um novo olhar em psicoterapia e um novo olhar em direção às nossas histórias.

O evento contou ainda com a presença da cônsul italiana Aurora Russim que pode dividir conosco um pouco de sua prática. 

Aproveito a oportunidade para agradecer a minha grande mestre Jaqueline Cássia Oliveira pela oportunidade, pela organização do evento ( tudo feito com muito cuidado e profissionalismo) e por colaborar sempre com meu crescimento pessoal e profissional.



Tempo bom de reflexões e descobertas!











sábado, 11 de julho de 2015

Em julho o Espaço Família e Humanização foi sede para o curso "Psicodiagnóstico com Ênfase em Neuropsicologia", ministrado pelo neuropsicóloga Ana Karina Carvalho.

Compreendemos que avaliação psicodiagnóstica bem feita é uma excelente ferramenta de trabalho e de diagnóstico, independente da linha teórica escolhida por cada profissional. 
Colabora para ampliarmos sobre a queixa pedido, possíveis hipóteses terapêuticas e condutas clínicas durante e após o processo.O curso foi personalizado, com material de primeiríssima e o conteúdo dado com maestria. 

Agradeço à todas as colegas de curso e principalmente à Ana Karina que apostou desde o início nesse trabalho e que com muito profissionalismo colaborou para que cada uma construísse seu aprendizado de forma única.


Um grande abraço colegas e que possamos caminhar mais e mais!


                                          Fernanda Seabra, Ana Paula Rubim, Ana Karina Carvalho, Daniela Baveda
                                                         e Roneida Gontijo


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Oportunidade de crescimento pessoal e profissional, confira!


Assim é a vida... Feliz Ano novo!!!

Palco da Vida

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.
E você pode evitar que ela vá a falência.
Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.

Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um não.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar eu errei.
É ter ousadia para dizer me perdoe.
É ter sensibilidade para expressar eu preciso de você.
É ter capacidade de dizer eu te amo.
É ter humildade da receptividade.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz . . .
E, quando você errar o caminho, recomece.

Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.
Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo . . .

Fernando Pessoa

terça-feira, 22 de julho de 2014

Laços de amizade

Entrevista concedida ao Jornal Estado de Minas



O Bem Viver conta a história de pessoas que se uniram pela afinidade e pelo prazer de estar juntas

A turma do Petegolo, que existe há 38 anos, é formada por cerca de 30 amigos entre 54 e 79 anos
O que seria da vida sem os amigos? Pode ter certeza de que, na solidão, seria muito mais sem graça. Está comprovado que conviver com pessoas queridas afasta doenças, melhora a autoestima e alegra o dia a dia. O Bem Viver convida você para comemorar o Dia Internacional da Amizade, celebrado hoje, na contramão do mundo corrido: reserve um tempo para cultivar as relações com quem se ama.

Ninguém nasceu para viver sozinho. A psicóloga Fernanda Seabra, do Colégio Conviver e especialista em terapia familiar sistêmica, esclarece que precisamos pertencer a um grupo desde o momento em que nascemos e somos acolhidos pela nossa família. Com o tempo, passamos a nos agrupar por afinidade. “Os inimigos têm os nossos defeitos e os amigos, as nossas características, por isso eles são o espelho da nossa alma. Com a amizade vamos atrair pessoas que se parecem com a gente e têm em comum os mesmos planos, vontades e desejos”, diz.

A realidade, no entanto, é cruel. São tantas as tarefas para cumprir em um curto tempo que faltam oportunidades para encontrar os amigos. Afinal, manter as relações em dia exige dedicação. “Mas na hora em que passamos um momento de dificuldade, se não tivermos estabelecido uma rede de apoio e alimentado nossas relações vamos sofrer sozinhos. Os vínculos nos dão suporte”, pondera. Por isso, a psicóloga sugere criar o hábito de cultivar as amizades, nem que seja com um telefonema. Nenhuma relação vai ter futuro, se não for cuidada.

Todas as quintas-feiras, o pediatra Jamil Nahass, de 74 anos, deixa o consultório para encontrar amigos de longa data, todos integrantes do grupo Petegolo. Eles jogam peteca e depois jantam no Pampulha Iate Clube, em Belo Horizonte, enquanto batem papo e se divertem. “A maior motivação para estar com os amigos é o aconchego. Às vezes você sai com um problema do consultório e, quando chega lá, com todo mundo falando ao mesmo tempo, em cinco minutos está numa ótima. Parece que fez terapia de um ano”, brinca. “Se não fosse o compromisso, pelo menos meia dúzia estaria em casa deprimido e cheio de dor.” Hoje, quase 30 homens fazem parte do grupo, entre 54 e 79 anos. 

As regras para entrar no Petegolo são claras: o candidato tem que passar primeiro pela avaliação do chefe e depois deve pagar um jantar para todos os integrantes. Antes de ser oficialmente integrado ao grupo, ele permanece em período de experiência por três meses. “Também tem que jogar peteca no mesmo nível. Se jogar mal, a turma o encosta até recuperar a forma”, informa o pediatra. E mais, mulher não entra. Há quase quatro décadas, Jamil conquistou seu lugar no Petegolo cozinhando deliciosos pratos árabes e assumiu a função de fiscalizar a saúde dos velhos amigos. “Fico coordenando a saúde de todos. Não deixo comer demais, não deixo engordar nem abusar da bebida.”

De fato, ficar isolado aumenta as chances de depressão. Mais um motivo para estreitar as relações com os amigos. “Saber que o outro se interessa por mim e me considera alimenta a vontade de viver e o desejo de sair de casa. Isso nos mantém vivos”, afirma Fernanda Seabra. A amizade também pode ser usada a favor da saúde, assim como ocorre no Petegolo. Por que não convidar um amigo para ser companheiro de atividade física? Há quem se sente mais motivado para se exercitar quando está acompanhado. “É um momento de cuidar do corpo, se divertir e conversar. A pessoa volta para casa muito mais relaxada e com uma sensação de prazer. Pode até ser que os problemas não se resolvam, mas o fato de ser ouvido por uma pessoa de quem se gosta tem efeito terapêutico”, diz a especialista.

COMPANHIA
O professor Ronaldo Lemos Botrel, de 61, não tem dúvida de que a atividade física fica muito melhor com companhia. Ele é um dos integrantes mais antigos do grupo Corredores da Bandeirantes (Corban), em referência ao nome da avenida onde ocorrem os encontros diários, sempre no início da manhã. A preguiça e o cansaço são deixados de lado quando Ronaldo lembra como é bom conviver com os amigos que, assim como ele, gostam de correr. “Como temos afinidades, sai muita risada, casos engraçados e brincadeiras. Além de fazer a prática da corrida, desfrutamos de momentos agradáveis”, comenta.

Em mais de 30 anos surgiram vários amigos que ainda estão presentes na vida de Ronaldo. O professor, que também é maratonista, ressalta que a longa preparação para as provas acaba contribuindo para criar laços de amizade entre os competidores. “A corrida é o que nos motiva a encontrar e conviver, e em razão disso muitas amizades são consolidadas.” 

FONTE: Estado de Minas 

sábado, 14 de junho de 2014

Copa das 'selfies': a moda já foi longe demais? Saiba se você também sente os efeitos da exposição

Agradeço a oportunidade e  profissionalismo da repórter colunista Letícia Orlandi da Saúde Plena, e à Letra comunicação pelo convite.



Letícia Orlandi - Saúde PlenaPublicação:11/06/2014 08:30Atualização:13/06/2014 14:50



Nos Estados Unidos, disseminação dos autorretratos é apontada como razão para aumento de intervenções no rosto e também nas mãos. Pressão constante nas redes sociais e aplicativos teria aumentado insegurança, principalmente em adolescentes e adultos jovens. 

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Cristiano Ronaldo (@cristiano) e Neymar (@neymarjr): com mais de cinco milhões de seguidores, jogadores são representantes da 'Copa da Selfie'
Se o seu nome é Neymar Jr. ou Cristiano Ronaldo e você tem mais de cinco milhões de seguidores no Instagram, é provável que sua máxima nas redes sociais seja: quanto mais selfies, melhor. Mais publicidade, mais fãs, mais promoção para o time e para as marcas que você representa. O Mundial do Brasil já está sendo chamado de 'Copa da selfie' nas redes sociais, mas há quem veja com ressalvas esse tsunami global. Entenda agora o porquê.

“Se você não for magra e bonita, não há espaço para você no mundo.”. Estas foram as palavras de uma adolescente de 16 anos em uma sessão de terapia. A menina não está sozinha. A Academia de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva dos Estados Unidos confirma que houve um aumento, nos últimos 12 meses, na procura por cirurgias plásticas, em relação ao ano anterior – e o motivo seria a onda dos ‘selfies’ – autorretratos postados nas redes sociais. De acordo com um em cada três médicos entrevistados, o motivo para fazer a cirurgia era a pressão pela exposição 'perfeita' na internet. Segundo o presidente da Academia, Edward Farrior, a tendência significa que 'estamos cada vez mais narcisistas' e dispostos a quase tudo por uma beleza idealizada.

Nos pacientes com menos de 30 anos, as cirurgias no nariz aumentaram em 10%, os transplantes capilares 7% e as cirurgias de correção das pálpebras 6%. A estadunidense Triana Lavey, de 38 anos, gastou R$30 mil em cirurgias plásticas em busca da 'selfie perfeita', e parece que a ideia deu certo - ela foi contratada por uma agência para promover diversas marcas em seus perfis nas redes sociais, e o cachê pode alcançar meio milhão de reais. “Continuo sendo eu, só que agora com Photoshop”, brincou a mulher, em entrevista à TV americana. Triana fez modificações no queixo, no nariz e nas bochechas, além de regularmente fazer aplicações de botox para disfarçar as rugas. “A presença nas redes sociais é tão importante quanto na vida real. Botox, para mim, é tão básico quanto pagar o aluguel ou fazer o supermercado”, acrescentou.



Para muito além do rosto, essa preocupação com a foto perfeita chegou também às mãos. Achou esquisito? Mas tem gente realizando procedimentos estéticos radicais para deixar a pele mais lisa e alcançar a ‘foto de anel de noivado’ mais bonita entre as amigas. Marcas de sol, veias salientes ou ossos muito saltados não são bem-vindos. Até editores de revistas para noivas consideraram o procedimento um exagero, mas as noivas norte-americanas insistem. 

O aumento de cirurgias plásticas entre os mais jovens é um tema delicado. Se, para os adultos, já é um desafio chegar a um denominador comum entre o que o paciente deseja e o que uma vida plenamente saudável permite; quando se trata de adolescentes o debate ganha mais variáveis - é mesmo necessária uma cirurgia tão cedo na vida de alguém? Em quais situações isso se justifica?

 (Arte: Soraia Piva / EM / DA Press)


Meghan provoca: por que a foto de uma pessoa acima do peso foi censurada e as selfies de celebridades permanecem? O questionamento rendeu um pedido de desculpas do Instagram
Na contramão das cirurgias plásticas e das dietas malucas e na direção da vida saudável e da autoestima, uma cantora e videologger estadunidense conseguiu colocar o Instagram em uma posição embaraçosa, justamente por causa de uma selfie. Meghan Tonjes passou recentemente por um processo de emagrecimento, sem deixar, no entanto, de ser uma moça curvilínea. Apesar de não corresponder ao padrão midiático, Meghan sempre posta fotos de corpo inteiro das partes que mais gosta, como o bumbum, com a hashtag #honro_minhas_curvas (#honormycurves). As selfies não contém nudez.

Só que uma das imagens foi retirada pelo Instagram. Essa postura da rede social motivou um vídeo, hoje já com mais de 745 mil acessos, em que Meghan mostra exemplos de fotos de pessoas magras e 'bonitas' que, mesmo sendo ainda mais explícitas que a dela, foram mantidas. Ela questiona a política do Instagram – se fotos de biquíni e lingerie fossem sempre retiradas, tornaria-se impossível tirar uma selfie na praia, por exemplo – e aproveita para pontuar questões de autoestima que envolvem as meninas consideradas plus-sized. “Se celebridades magras sempre postam fotos ainda mais reveladoras, por que a minha foi removida?”, pergunta.

Meghan faz parte de uma comunidade de mulheres que tenta criar uma mundo mais positivo e menos cruel em relação aos corpos femininos. “Esta foi uma oportunidade para começar um diálogo muito importante, ainda que o Instagram não veja esse vídeo. Só porque alguém se sente desconfortável em ver uma pessoa gorda, isso não significa que a foto vai contra as regras da rede”, pondera a cantora. “Gostar do seu corpo e estar confortável com ele é uma das coisas mais rebeldes que a gente pode fazer neste mundo. É uma revolução, mas há pessoas que não concordam e querem lutar contra isso”, dispara, no vídeo.


Meghan Tonjes usa as selfies como forma de levantar a autoestima de garotas curvilíneas e encorajar uma visão positiva sobre o corpo feminino
Acontece que os administradores da rede social assistiram ao depoimento e admitiram o erro em um comunicado oficial: “Nós sempre tentamos encontrar um bom equilíbrio entre permitir que as pessoas se expressem e manter o Instagram como um lugar divertido e seguro. Nossa política limita nudez e conteúdo para adultos, mas reconhecemos que nem sempre nós avaliamos corretamente. Neste caso, nós cometemos um erro e restauramos o conteúdo”.Corpo e mente prontos
Na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a visão é um pouco diferente, mas não é totalmente oposta à dos colegas norte-americanos. O presidente da SBCP, João de Moraes Prado Neto, não acha que a moda da 'selfie', isoladamente, é capaz de atrair novos clientes ao consultório. “Já consultei meus colegas em duas ocasiões diferentes, nos últimos meses, e nenhum deles relatou demandas motivadas pelo autorretrato na web”, afirma o especialista.


A disputa pela selfie perfeita chegou às fotos que anunciam o noivado - na foto, a cantora e atriz britânica Frankie Sandford. Mulheres aplicam botox e passam por cirurgias plásticas para que as mãos não tenham 'falhas' na imagem
O médico pondera, no entanto, que o culto à beleza propagado pelos diversos meios de comunicação tem efeito sobre o aumento de procedimentos, principalmente entre os mais jovens. “A influência da mídia e a precocidade cada vez mais acentuada das crianças e adolescentes criam uma falsa 'necessidade' de fazer a cirurgia. A obrigação de fazer acaba sendo mais forte que a verdadeira vontade do jovem. Não vejo isso com bons olhos e acho que é necessário um limite”, aponta o presidente da entidade.

Prado Neto acrescenta que essa postura nada tem a ver com legislar contra a própria causa – a cirurgia plástica. “Pelo contrário. Para que um procedimento tenha sucesso e deixe a pessoa realmente satisfeita, é preciso haver uma avaliação criteriosa do ponto de vista emocional e psicológico. Há pacientes que, independentemente da idade, têm maturidade; e outros não”, acrescenta. “E há diferença entre as cirurgias também. A de orelhas de abano, por exemplo, já pode ser feita a partir de 6 anos, porque a estrutura não vai se modificar depois disso e podemos evitar os constrangimentos que vêm a partir dessa característica”, enumera.

Para o cirurgião, intervenções em partes do corpo que ainda não atingiram desenvolvimento pleno – caso das mamas e do nariz, por exemplo – devem ser realizadas em um momento de mais estabilidade emocional. “Essa constatação deve ser em conjunto, com os pais, com o jovem, com um psicólogo, se necessário. É comum que eu recomende à família que volte para casa e pense mais um pouco, antes de tomar a decisão”, orienta Prado Neto.

A procura pelas intervenções estéticas entre os adolescentes brasileiros cresceu 141% entre 2008 e 2012. As plástica em adultos cresceram 38% no mesmo período. “A relação entre médico e paciente precisa ser transparente e inspirar confiança para que, caso a caso, a melhor solução seja encontrada. As inseguranças típicas da idade, somadas às mudanças rápidas que o corpo sofre nessa época, sempre foram variáveis importantes e que pesam para formar os desejos dos adolescentes”, alerta o médico.

A psicóloga Fernanda Seabra: necessidade de pertencer a um grupo não é nova, mas velocidade com que as coisas acontecem mudou. 'Ouvi de uma adolescente que o espaço das pessoas no mundo é definido pela magreza e beleza', alerta (Divulgação)
A psicóloga Fernanda Seabra: necessidade de pertencer a um grupo não é nova, mas velocidade com que as coisas acontecem mudou. 'Ouvi de uma adolescente que o espaço das pessoas no mundo é definido pela magreza e beleza', alerta
A psicóloga Fernanda Seabra, especialista em Terapia Familiar Sistêmica e integrante do Projeto Adolescer, foi a profissional que ouviu a frase que abre a matéria. Com aquelas palavras exatas. Ela aponta que o narcisismo, apesar de sempre parecer a explicação mais fácil nesses casos, realmente está inserido nesse contexto, mas não é o único argumento. “Parte dos usuários – não todos, é claro – vive no mundo virtual aquilo que não consegue viver na realidade. São pessoas em sua maioria carentes, com autoestima debilitada e que dependem de 'curtidas' e comentários para se sentirem bem, para terem a sensação de que são amados”, explica.

Fernanda salienta que essa 'necessidade' não é nova, o que mudou foi a rapidez com que a informação e a imagem circulam. Com o ambiente virtual, tornou-se possível construir uma imagem de glamour e ganhar visibilidade com essa pose, ainda que seja uma meia-verdade. “Quem conquista essa visibilidade passa a ser 'seguido' e as marcas estão de olho nesses porta-vozes. O transtorno de personalidade narcisista, caracterizado, entre outras coisas, pela pessoa que precisa constantemente de aprovação externa, sempre fará parte dessa relação”, avalia. Um outro complicador é que o narcisista quer que o outro veja tudo que ele faz, mas não quer que as outras pessoas tenham a mesma oportunidade.” Aos poucos, essa pessoa vai perdendo parte de suas características humanas – a bondade, a compaixão, o altruísmo”, destaca a psicóloga.

A desumanização vem acompanhada de um pensamento com foco em imagem, poder e status. No caso das mulheres, principalmente, em magreza. Fernanda cita dois exemplos – a 'selfie' pós-sexo e o 'Ken brasileiro'. “A selfie #aftersex, que se tornou moda nos últimos meses, tem alguma outra função que não dizer ao mundo que se é uma pessoa amada, que se tem vida sexual satisfatória – ainda que a realidade não seja tão cor de rosa assim?”, questiona a psicóloga. 

No caso do modelo Celso Santebañes, mais conhecido como o Ken brasileiro, uma declaração recente chamou a atenção de Fernanda - “quando estou triste, olho no espelho, aí não fico mais triste”, disse em entrevista na televisão. Aos 20 anos, ele já gastou R$30 mil em cirurgias plásticas – nariz, queixo, peito. “O entrevistador questionou porque o rapaz não olhava nos olhos dele na entrevista. Ele disse que preferia olhar o monitor. É um sinal de desumanização”, exemplifica a especialista.


Celso Santebañes, 20 anos, R$30 mil em cirurgias, conhecido como Ken brasileiro - 'quando estou triste, olho no espelho, aí não fico mais triste'
É claro que existe uma parcela das pessoas que faz uso saudável da rede - por motivos profissionais, para dar notícias aos amigos e familiares em momentos de viagem, por exemplo. “São pessoas que vivem o mundo real, têm amigos reais, não 'precisam' de curtidas e comentários. Conseguem dividir seu tempo, conseguem ir e vir entre as duas faces. Mas quando esse hábito se torna uma compulsão, integra uma necessidade de ostentação e de aprovação constante, é hora de questionar”, orienta Fernanda. Conectar-se no virtual para fugir do real é o perigo, destaca a terapeuta.

Nada de novo no front?
Há um outro lado nessa história toda – o de quem curte. A exposição pode criar, além de admiradores, uma rede de inveja. Existem aqueles perfis de usuários de redes sociais que, apesar de não postarem nada de si mesmos, acompanham a vida do outro. E pautam sua vida pela rotina alheia – não por admiração.

A vontade de pertencer a um grupo é velha conhecida dos seres humanos. O que mudou é a instantaneidade e os critério de pertencimento. Se antes esperávamos dias pela revelação de uma foto, hoje ela está no ar em segundos. “Posso mostrar o que eu tenho, o que eu consumo. É isso que vai me tornar alguém diante dos olhos de várias pessoas – o ter; e não o ser. A imagem que eu quero passar está diretamente ligada ao consumo”, aponta Fernanda.

De acordo com a psicóloga, a imagem construída na sociedade do consumo e da performance contrasta com as queixas no consultório – solidão, dificuldade para encontrar um companheiro (a), carência. “O selfie traduz bem isso – eu gasto para me transformar em quem eu quiser e ficar bonito de acordo com os critérios alheios. Segue-se a moda dos outros; e não a própria moda”, pondera Fernanda.


A 'selfie' do Oscar de 2014 bateu o recorde de imagem mais republicada nas redes sociais foi uma ação promocional que rendeu cerca de um bilhão de dólares para a Samsung
Um dos maiores desafios do ser humanos é, segundo a especialista, tolerar quem nós somos. “Não vejo problemas em uma intervenção cirúrgica, desde que o significado seja realmente importante para aquele indivíduo; e não por uma moda ou para ganhar exposição”, conclui.

Identidade
E por que sempre os mais jovens são os mais afetados? Esses impactos são mais fortes na turma com menos de 30 anos porque é justamente até essa idade que a pessoa está construindo sua identidade. 

Os mais jovens têm ansiedade para experimentar, mas ainda não têm crivo para avaliar plenamente. “Entre os 18 e 30 anos, é comum que a maioria das pessoas faça o que todo mundo faz - tira a carteira, entra para a faculdade. É a cultura do 'seu mestre mandou'”, esclarece Fernanda. 

Por volta dos 30 anos é que os questionamentos verdadeiramente acontecem e a pessoa passa a reavaliar o que traz significado para a vida. Mas nem sempre – até isso está mudando “As crianças têm que ser miniadultas, usa roupas de adulto, crescer rápido. Depois entram na juventude e não conseguem sair dela. Têm vida sexual ativa, emprego, renda, mas não querem sair da casa dos pais, não querem assumir responsabilidades”, aponta a psicóloga.

Fernanda avalia que os adultos de hoje são 'adulterados', pessoas que têm idade para serem adultos, mas não entendem o que é responsabilidade ou consequência. Não sabem como lidar com a tristeza, porque não há lugar para isso no mundo em que viveram. A tristeza afasta as pessoas no mundo virtual, faz perder 'amigos'. 


Jen Selter é considerada a rainha do 'autorretrato de bumbum' (bottom selfie) e seu sucesso - mais de 3 milhões e meio de seguidores - motivou reportagens que perguntam: a onda do selfie já foi longe de mais?
O resultado é o excesso de remédios para afogar os sentimentos, é o foco no mundo virtual, no poder, na beleza. É a não-aceitação do envelhecimento ou os efeitos da gravidez no corpo. “Quando a amiga vai visitar a outra que teve bebê, a primeira reação é – olha, como você está magra, ótima. E depois é que vem o bebê. Ficamos distantes de nós mesmos, sem saber quem somos. Não aceitamos que o tempo traz coisas boas”, define a especialista.

Inversão de valores
A questão do aumento das cirurgias plásticas entre os adolescentes esbarra também na inversão de valores – pais inseguros resolvem assumir a posição de 'amigos' dos filhos, e jamais dizem ‘não’. O ‘não’ vai gerar um trauma; e o trauma é ruim. “Os pais geram um ciclo muito negativo para o ser em formação. Eles pensam - se eu repreender meu filho, ele vai se tornar rebelde, vai usar drogas. E a criança fica sem limites e sem referência”, exemplifica a profissional. Fernanda Seabra provoca: o jovem que só ouve ‘sim’ dos pais, aceitará um não da namorada?

No caso da filha que pede uma lipoaspiração ‘de presente’, é comum que a mãe também esteja na mesma onda. “Se eu quero ver a minha filha feliz, ela tem que fazer isso”, é a frase que vem à cabeça. “Muitos pais não entendem a alternativa do diálogo franco - explicar que neste momento ainda é cedo para uma intervenção desse porte. A vontade no futuro pode ser outra, pode ser até oposta”, pondera. 

A psicóloga completa esse raciocínio com a questão das pequenas misses, submetidas a tratamento de beleza quando ainda têm 3, 4 anos. “Não é uma realização da criança, é da mãe”, alerta.


A inglesa Poppy, de 7 anos, ganhou no último Natal um voucher de R$17 mil para uma futura lipoaspiração. Não é a primeira vez que a mãe da menina, Sarah Burge, de 51 anos, oferece um presente do tipo. Conhecida como 'Barbie Humana', por ter feito dezenas de cirurgias plásticas, Sarah já havia dado à filha um vale-silicone de R$ 14,5 mil. As duas gastaram mais US$30 mil para participar de concursos de mini-miss pelos EUA
Fernanda considera que as consequências de 'pular etapas' refletem-se de forma drástica na vida desses adolescentes, e não só na estética. “Se há falta de limites e permissividade total, a vida sexual também se inicia mais cedo. Quando ela começa antes que o corpo esteja pronto, corremos o risco de ter uma geração de meninos e meninas que simplesmente não têm prazer. Eles transam mesmo assim, porque 'todo mundo transa'”, alerta a especialista.

Mundo interior desconectado
Todas essas questões, que parecem mais externas – o cabelo liso, o corpo escultural, o peito grande – estão vinculadas, na verdade, a uma dificuldade de construir o mundo interior. Fernanda aponta que, para haver conexão verdadeira consigo mesmo, é necessário perguntar-se: do que eu gosto? O que me satisfaz? O que me deixa feliz? Do que eu não gosto em mim? Como lido com essas coisas que eu não gosto? “Se a resposta a essas perguntas for relacionada apenas às aparências e a objetos de consumo, é tempo de parar e pensar”, diz Fernanda.

Quando não há pausa para pensar, só teremos tempo para o mundo das imagens, para as dietas malucas e os transtornos alimentares. “É por isso que o nariz imperfeito torna-se fonte de sofrimento. É por isso que não toleramos as outras pessoas, é por isso que nós nos desumanizamos. Muitas vezes, só na dor e na perda é que conseguimos fazer essa conexão interior. Temos que ensinar nossos filhos a questionar”, reforça. “E isso vale para a obsessão pela beleza, para a dependência química (hoje, meninos de 12 anos já são internados para tratar a dependência do álcool), para as crises naturais da adolescência. Você deve mostrar ao seu filho ou filha que ele tem valor, mesmo que a vida traga alguma frustração - e ele tenha que lidar com ela”, conclui a psicóloga.

Fernanda Seabra lembra que o problema não está na ferramenta ou na rede social em si. Ela oferece uma infinidade de aplicações positivas. A preocupação está no preparo para avaliar as posturas virtuais e o uso que cada um adota. Em todos os casos, a dica é: questionamento. Perguntar-se, de tempos em tempos, sobre os efeitos do online na vida real é sempre uma postura válida.

Sinais de alerta:
Caso você apresente algumas dessas características, está na hora de parar para pensar, segundo a psicóloga Fernanda Seabra:

-dificuldade para desconectar das ferramentas online, causando atrasos em compromissos reais, por exemplo; ou noites insones;
-sentir-se menos bonito ou interessante em comparação com os 'amigos' das redes sociais;
-o número de curtidas e comentários em 'selfies' no Instagram ou Facebook é motivo de preocupação e de verificação constante;
-você tira mais fotos para mostrar que você está em determinado lugar do que para celebrar o momento ou indicar o programa aos amigos;
-você não posta nada pessoal, mas acompanha a rotina dos 'amigos' e quer imitá-los;
-você se sente tentado a fazer intervenções estéticas em função de fotos que vê nas redes sociais.