sábado, 14 de junho de 2014

À Minha Imagem - Revista Viver Brasil

Entrevista que concedi para a Revista Viver Brasil. Agradeço à repórter colunista Eliana Fonseca pelo convite e à Letra Comunicação.

Desde que mundo é mundo – o que ficou bem mais claro com a invenção da câmera fotográfica – a imagem sempre foi o calcanhar de Aquiles da humanidade. Não por acaso, um dos mais populares mitos é justamente o de Narciso que, ao ver sua imagem, acaba se apaixonando por si mesmo. E não se trata de exceções, atire a primeira pedra quem já não ficou horas do espelho para uma fotografia de poucos segundos. Com as redes sociais, o excesso não está mais nos posts do outro, mas na forma como nos relacionamos com nossas próprias imagens. No ano passado, as selfies – termo para designar autorretratos para postagens nas redes sociais – ficaram no topo da popularidade. Desde então, surgiram as healthies (selfies de corpos saudáveis) e as usies, as fotografias de 2 ou mais pessoas. Ao observar as redes sociais, é possível encontrar de tudo um pouco – desde as que procuram o equilíbrio ao postarem suas imagens até aquelas que têm autorretratos em enterros, no pós-sexo, em acidentes graves e até quem já tenha tentado o suicídio por não conseguir a selfie perfeita. A tênue linha entre o excesso e a diversão tem revelado que nem todo mundo sabe lidar bem com sua autoimagem.
Vamos à pergunta básica, afinal o que há por trás de uma selfie? Em primeiro lugar, é uma forma do ser humano se relacionar com as novas tecnologias, bem como o mundo e as pessoas ao seu redor. A psicóloga Mônica Vidal explica que uma pessoa madura geralmente posta selfies mais espontâneas, em vez daqueles estrategicamente elaboradas e editadas. Pessoas mais inseguras tendem a postar selfies mais sexualizados e exibicionistas com o intuito de receber o maior número de curtidas e, com isso, obter uma falsa percepção de que são amadas. “E quanto maior o número de comentários e curtidas, maior essa ilusão, o que reforça o comportamento narcisista de maneira cíclica.”
Logicamente, há milhares de exceções e surpresas. Uma delas é a do padre que posta uma selfie com os noivos bem no meio da cerimônia de casamento. É surpreendente vê-lo pedir um minuto para a fotografia e avisar que, dali a poucos segundos, a foto estará no seu Instagram e Facebook. O padre Fernando Lopes Gomes, da paróquia Santo Inácio de Loyola, no bairro Cidade Jardim, realizou, no ano passado 198 casamentos, todos com selfies. Ele tem pavor à pecha de exibicionista ou modista. Diz que a selfie integra um trabalho maior de personalização com os fiéis de sua paróquia, em que as histórias de amor, no caso de casamento, estão sendo celebradas diante de Deus. “Ao fazer a selfie, mostramos o casamento que está ocorrendo e precisa ser divulgado porque é uma celebração de algo que a humanidade necessita ver como algo bom. Atualmente, vemos as redes sociais serem tão mal usadas.”
Gomes, também, não se sente muito confortável com adjetivo de moderno, mas o fato é que não há concorrente em outras igrejas, pelo menos que ele saiba. Já sobre a repercussão dentro da igreja, é ainda mais econômico nas palavras: “Estão acolhendo muito positivamente”. 
Quem gosta de selfies, não esconde que também é uma forma de exibicionismo, mas nem por isso pode-se perder o bom senso. As amigas Carolina Rocha Andrade, 24, e Cristiane Teixeira, 20, são adeptas das usies e adoram tirar fotos juntas. Estudantes de direito, querem comentários positivos para as suas imagens. Gastam horas para escolher as melhores fotos. São 2, no máximo, nos dias úteis e várias nos finais de semana. Procuram evitar as apelativas. “Nosso limite é o que achamos vulgar. Não postamos fotos com decotes, com roupas exageradas, nada apelativo. E também nada de frases sobre carência ou ser solteiro”, explica Carolina.
No caso da jornalista Ludmilla de Carvalho Rangel 27, o fascínio pelo autorretrato está presente desde sempre em sua vida, mas a onda da selfie é algo bem restrito em seu cotidiano. Ela integra um grupo de pessoas que acredita que nem tudo que se faz deve ser compartilhado nas redes sociais. As exceções são em momentos especialíssimos e, nessa hora, Ludmilla prefere o junta-junta dos amigos para as suas postagens. O que vale nesses momentos é a espontaneidade. “Tiro poucas fotos e sempre escolho a primeira. Não precisa ser aquela foto arrumadinha, posada. Acho que postar fotos insistentemente é cansativo.”
Eis um ponto que os adeptos de postagens de muitas selfies ignoram, imagem em excesso também cansa. A psicóloga Mônica Vidal chama a atenção para o fato de quem posta selfies demais acaba causando o efeito oposto ao desejado – afastando e irritando os amigos, que podem vir a se tornar ex-amigos. Para outra especialista, a psicóloga Fernanda Seabra, o excesso de selfies pode indicar um caminho que é negativo, o da desconexão com a alma para uma conexão exagerada com a imagem. “A conexão com a alma é quando construo o meu mundo interno e tenho segurança do que sou, do que gosto, das minhas fraquezas, habilidades. Não preciso mostrar para o outro nem o meu lado bacana, nem o meu lado feio. Só aprender a lidar com os 2 lados e reconhecê-los. Automaticamente, quem se relacionar comigo vai conhecê-los.”
Há pessoas que reconhecem o fascínio pelos autorretratos e dizem que já passaram por situações de conflito por causa disso. Esse foi o caso da empresária Dafne Pereira, 35. O encanto por fotos vem da infância e ela conta, aos risos, que sempre dava um jeito de frequentar festas só para aparecer em todas as fotos. Adepta das redes sociais desde o Orkut, acostumou-se a divulgar muitas imagens em todos os momentos da vida. Atualmente, grávida de 7 meses, faz do Facebook e Instagram uma espécie de diário. “Agora, com a gravidez, estou num momento sublime, que nada me importa, mas antes, quando começava a me expor demais, dava uma pirada e saía das redes sociais”, diz. 
Esses momentos de crise foram resolvidos quando Dafne fez um texto, que define como bem direto, para as pessoas que começaram a criticá-la pelo que consideravam superexposição na postagem de imagens. “Quase não escrevo, o que gosto é de divulgar minhas fotos. Quem não está gostando e acha que é exagero, é só não me seguir.” Quando posta fotos de antes da gravidez, Dafne diz que recebe cerca de 20 curtidas. Ao mostrar a barriga, já chegou a ter 100 curtidas. “Outro dia, postei uma campanha de vacinação e tive poucas curtidas”, conta. 

Wagner Tamietti Júnior
Wagner Tamietti Júnior
Já o coach e treinador pessoal Bruno Carcara é adepto de healthies, em que o principal conceito é aliar a identidade a um corpo saudável. Ele não esconde que sempre gostou de fotografias e de registrar todos os momentos de sua vida. Começou a utilizar as imagens para divulgar a profissão e teve um retorno grande de pessoas procurando seu trabalho, que consiste em montar dietas e fazer treinamentos personalizados, além de ensinar a ter vida mais saudável e respeito ao corpo. Mesmo assim, o número de selfies em sua página no Facebook já levou muita gente a chamá-lo de exibicionista e narcisista. “Nunca me importei, porque estou fazendo o que gosto e divulgando o meu trabalho. As pessoas criticam aquilo que invejam”, diz. 
Quem também descobriu novas utilidades para as selfies foi a empresária Thaís de Andrade Cardoso, 27, que utiliza as imagens para divulgar a marca própria de roupas. Mesmo assim, somente em suas redes sociais profissionais, porque, nas pessoais, só valem fotos com amigos e gente mais próxima, de preferência sempre em grupo. “Através das selfies, estou tendo a oportunidade de divulgar o que produzo. Pessoalmente, não gosto de tirar fotos sozinha.” 
Não importa se a pessoa gosta de postar muitas selfies ou se as imagens são em menor número, o que especialistas indicam é que sempre tem de haver a reflexão cotidiana de como cada um lida com as redes sociais e suas ferramentas. Segundo Fernanda Seabra, o abuso das selfies pode provocar uma dificuldade em determinadas pessoas em viver a vida real, já que no virtual tudo é glamouroso, sem fragilidades, calcado na imagem. “Dependendo do grau de adoecimento, essa dificuldade pode ser um transtorno em que a pessoa precisa se expor para que tenha a sensação de que está sendo vista.” A autoexposição, reflete Fernanda, pode estar associada à baixa autoestima em que as pessoas precisam que suas imagens recebam likes para se sentirem valorizadas e validadas. 
Segundo a psicóloga Mônica Vidal, perder o controle desse recurso tecnológico pode significar uma maior solidão, dificuldade de relacionar-se presencialmente com outra pessoa, ser muito tímido ou, o contrário, muito exibicionista. O descontrole na produção de selfies pode estar associado a transtornos como depressão, fobia social, transtorno afetivo bipolar e dismórfico corporal. 
“O transtorno dismórfico corporal caracteriza-se pela preocupação excessiva com a aparência física que leva a prejuízos concretos na vida do sujeito, como isolamento social, anorexia, bulimia, automutilação e até mesmo suicídio”, observa a especialista. Esse foi o caso de um jovem britânico que chegava a postar 200 selfies por dia com o propósito de tirar a foto ideal. Não conseguiu e foi salvo de um suicídio pela mãe.
O excesso de exibição pode assumir patamares perigosos. Atualmente, a última moda em autoexposição é a selfie pós-sexo, que tem se popularizado principalmente entre jovens e adolescentes. Fernanda Seabra diz que vivemos na sociedade da performance, em que tudo é ligado à imagem e em que as ações passam a não fazer sentido. “E o que não tem sentido, tem pouco sentimento. Tudo está muito racional. Estamos em um momento de rever valores.” 

Desafios na Educação de Filhos - Escola de pais do Brasil



No dia 13 de maio de 2014 estive na Escola de Pais do Brasil, sede Belo Horizonte, para falar sobre "Desafios na educação de filhos".  Gostaria de agradecer o convite e  a todos que compareceram e que acrescentaram em meu trabalho. Fui muito bem recebida e senti-me em casa. Pudemos juntos fazer boas reflexões sobre o ato de educar , nosso papel e função como educadores e a importância da família na vida de um ser humano.


                    Até a próxima!

I Encontro de Terapeutas - O Uso do Sandplay como recurso terapêutico.


Recebi um convite da Percursos para falar no I Encontro do Grupo de Trapeutas . O tema foi:  "O uso do Sandplay como recurso terapêutico" - através da apresentação de um caso clínico. Foi um momento muito rico em que colegas terapeutas puderam colaborar para um aprendizado em conjunto. Sinto-me honrada pelo convite e que o Grupo de Terapeutas cresça, frutifique e se fortaleça. 











terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


Prorrogamos a data inicial do curso de formação em Sistêmica para dia 11 de março de 2014. Atendendo a pedidos, aumentamos a duração das aulas para 2h. O curso será de um ano e meio agora. 

 Faça já sua inscrição!!!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013





Este mês, li um texto de uma colunista da Revista Cláudia ( dezembro de 2013) muito interessante e desafiador. Coloquei aqui uma parte do texto que achei bastante pertinente. O texto é de Marcia de Luca.






Reflexão e gratidão

  "Mais uma ano está acabando sem que a gente tenha percebido a passagem do tempo. É como um suspiro efêmero. Sempre levamos um susto quando nos damos conta de que já estamos no Natal, época de correria e agitação. E aí pensamos : "Outra vez?" É o momento ideal para reavaliarmos tudo o que fizemos ao longo desses meses e o que deixamos de fazer, o que ganhamos e que perdemos. Afinal, como já sabemos , a vida é feita de opostos que se complementam.

Minha sugestão para você é se aquietar - ou seja, ir exatamente na contramão do que todos fazem nestes dias de loucura total. É produtivo trocar a atitude de sempre por uma inesperada. O pai da teoria da relatividade, Albert Einsten, disse: "Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar , mergulho no silêncio, e a verdade me é revelada". Pois pare e reveja seu ano, seus padrões de comportamento, suas palavras e ações. Analise sem julgar ou criticar. Constate os fatos pura e simplesmente e encare-os. Deixe de lado o ego  - sua parte que necessita de poder, controle e aprovação.

Firme um compromisso consigo mesmo de usar essas informações para sua evolução. O universo nos manda mensagens permanentemente colocando situações em nossa vida que nos propicia evoluir. Mas na correria do dia a dia , nem nos damos conta disso. E não olhe só o futuro. Aprenda a focar o presente, e a estar nele por inteiro. De fato, o presente  "é um presente", com direito a laço de fita e tudo. Vamos aproveitá-lo!

Termine o anos fazendo um exercício muito poderoso, capaz de mostrar a Deus a sua gratidão por tudo que tem vivido.
Durante os próximos dias, você deverá agradecer por cinco coisas a cada noite sem repetir nenhuma. Toda vez,terá que arranjar cinco itens novinhos".


 Acredito que o Natal é um bom momento de refletirmos sobre ciclos que devemos encerrar em nossas vidas, decisões que precisamos tomar, mudanças que precisamos efetivar afinal, Natal é o  nascimento Daquele que nos acompanha dia após dia , que nos ama e nos cuida. É através Dele que podemos começar todos os dias, recomeçar, reaprender e evoluir. Que Cristo Jesus, abençoe nossas vidas e nossos lares. Que possamos ser gratos em tudo que  acontecer e que possamos deixar nascer um novo tempo em nós!


                                 Um grande abraço e um Natal de Paz!


Confraternização das alunas do curso de formação



Agradeço às minhas queridas alunas Érika Oliveira e Giovanna Borges pela oportunidade de trocas e aprendizados nos dois anos do curso de formação. Espero que vocês sejam felizes na caminhada de vocês como seres humanos e  como terapeutas sistêmicas. Que possam estar inteiras com vocês e também com seus clientes. Que o pensamento seja do TODO, ampliado e que o processo de humanização seja sempre um desafio. Vocês são grandes terapeutas!

Um grande abraço!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Desaceleração da rotina das crianças

Movimento prega a 'desaceleração' da rotina das crianças
JULIANA VINES
de São Paulo

A infância se transformou em uma corrida rumo à perfeição, e as crianças, em miniexecutivos com agenda cheia de atividades.
É o que argumentam os partidários do "slow parenting" (pais sem pressa), movimento que prega justamente o contrário: que as crianças tenham menos compromissos e mais tempo para fazer nada.

A ideia, que tomou corpo na Europa e EUA, ganha força aqui. Na semana passada, a primeira edição do "SlowKids", evento em prol da desaceleração da rotina das crianças, levou 1.500 pessoas ao parque da Água Branca, em São Paulo.
Na programação, atividades nada tecnológicas: oficina de jardinagem, brincadeiras antigas e piquenique. "As crianças precisam desligar os eletrônicos e interagir mais com os pais", diz Tatiana Weberman, uma das criadoras do projeto e diretora da agência Respire Cultura.

Segundo o jornalista britânico Carl Honoré, autor de "Sob Pressão" (Record, 368 págs.,R$ 52), muitas crianças têm todos os momentos da vida agendados e monitorados.
"Elas têm dificuldades de serem independentes, ficam sob estresse e são menos criativas", disse Honoré à Folha.

Ele foi o primeiro a usar o termo "slow parenting". "Tudo começou quando a professora do meu filho disse que ele 'era um jovem artista talentoso'. Na hora, a visão de criar o novo Picasso passou pela minha cabeça", conta.
No mesmo dia, ele começou a procurar cursos de arte para o filho, que na época tinha sete anos, até que o menino disse: "Pai, não quero ter um professor, só quero desenhar. Por que os adultos querem sempre cuidar de tudo?".

O puxão de orelha fez com que ele voltasse atrás e começasse a pesquisar o superagendamento da infância. Segundo ele, tudo começa com a boa intenção dos pais. Mas a vontade de ser o pai perfeito transforma a educação em um jogo de tudo ou nada.

VIDA DE EXECUTIVO
Para a psicanalista Belinda Mandelbaum, professora do Instituto de Psicologia da USP, a educação de resultados antecipa o ensino de ferramentas para competir no mundo corporativo. "Vejo crianças aprendendo mandarim porque os pais acham ser importante para o futuro."

Quando o empresário Marcelo Cesana, 38, diz não ter pressa de que o filho Caio, 1, aprenda a falar, a ler e a escrever, questionam se ele não vai ter dificuldade para trabalhar. "Me acham bicho do mato, mas não quero antecipar as coisas", diz ele, que levou a família ao "SlowKids".

A gerente de supermercado Vanessa Sheila Dias, 36, também foi ao evento com a filha Anne, 8 O domingo no parque faz parte da ideia de reservar um dia para fazer nada. "A rotina da semana é maluca, passo a ansiedade para a Anne", diz ela, que já se pegou pedindo que a filha comesse um lanche de fast food mais rápido.
Anne não faz atividades extraescolares. Já os filhos da psicóloga Patrícia Paione Grinfeld, 41, fazem natação, mas só aos sábados.

"Outros pais me perguntam: 'Eles não fazem nada durante a semana?' Como se fosse algo errado!", conta Patrícia. "Quero que crianças venham brincar com meus filhos, mas todas são ocupadas, tem que marcar antes."
arte folha/Editoria de Arte/Folhapress

As atividades extras não garantem que a criança vá aprender mais, diz Mandelbaum. "Muitas vezes, elas só aprendem a se adaptar a esse ritmo louco."
O primeiro efeito da correria é a ansiedade, diz a neuropsicóloga Adriana Fóz, coordenadora do projeto Cuca Legal, da Unifesp. "A criança fica frustrada pelo excesso de atividades e pela falta [quando se acostuma à agenda cheia]. Fica entediada com mais facilidade."
Não que toda atividade extra deva ser evitada, mas é preciso respeitar o tempo da criança. "Até os cinco anos os estímulos têm que ser mais naturais", afirma Fóz.

De seis a 12 anos, é hora de aprender de forma mais sistematizada, diz ela. Aí é preciso conciliar o que os pais consideram ser importante com o desejo e as habilidades da criança, cuidando para que ela tenha tempo livre.
"O ócio estimula a criatividade e a curiosidade por temas e experiências diversas", afirma a educadora e antropóloga Adriana Friedmann.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br